| Richard Zimler na Escola Secundária de Vilela |
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Na tarde do passado dia 27 de Janeiro de 2011, a Escola Secundária de Vilela teve o imenso prazer de receber o conceituado autor luso-americano Richard Zimler, na sua Biblioteca e no âmbito da actividade «Ver, Ouvir e Sentir… o Holocausto», dinamizada pelo Projecto N.O.M.E.S., em articulação com a disciplina de Área de Projecto das turmas 12.º D e 12.º E. {rokzoom}images/stories/noticias/zimler1.jpg{/rokzoom}{rokzoom}images/stories/noticias/zimler2.jpg{/rokzoom}{rokzoom}images/stories/noticias/zimler3.jpg{/rokzoom} Numa conversa à volta do tema «A Literatura, o Judaísmo e o Holocausto», brilhantemente moderada pelo professor João Paulo Sousa, Richard Zimler encantou uma plateia de mais de oitenta pessoas e falou de tudo um pouco: dos processos mágicos da (sua) escrita - da ideia inicial que flui em direcção ao desconhecido sem planos pré-estabelecidos, de como a escrita se desenrola em afunilamento como a vida, das opções que hoje tomamos e que condicionam os percursos, de que não se pode ser (bom) escritor antes dos quarenta, sem ler e sem viver, do respeito que tem pela História, introduzindo apenas nos seus romances personagens fictícias que se movimentam no palco real dos acontecimentos; dos seus romances - destacando o último, «Os Anagramas de Varsóvia», que o fez percorrer as ruas do antigo Gueto ou ler diários de vítimas e sobreviventes do Holocausto e que não tem um fim redentor como alguém estava à espera (como o poderia ter, equaciona o escritor, se para milhões o Holocausto não foi redenção?) ou «A Sétima Porta», romance que se passa nos anos 30, em Berlim, e que o faz ainda agora trazer Sophie, a protagonista, dentro de si; e falou do Holocausto, do sentimento de ausência que este fenómeno provocou em todos os judeus, de não compreender, quando adolescente, que para a mãe o Holocausto fosse algo intransponível mesmo sabendo que da extensa família materna do Leste da Polónia não tenha restado quase ninguém (porque o peso da memória muda à medida que a vida passa e aos 55 o 11 de Setembro parece que foi ontem), de que, no Holocausto, o importante não são os números nem as estatísticas mas as histórias pessoais, os rostos, os medos, os sonhos, de que mais do que ficar preso no passado, porque nenhuma daquelas vidas poderá ser recuperada, é preciso evitar semelhanças no presente e no futuro, é preciso ter consciência de que a banalidade do mal existe em todos nós mas todos também teremos algo de Sophie dentro de nós e que a resposta só poderá ser escolher e resistir. |







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